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Sobre a velocidade de cálculo de Tricalc
Em poucos
anos, com as sucessivas versões de Tricalc, deixou-se de considerar o tempo de cálculo de esforços de uma estrutura em termos de semanas,
para apenas minutos e segundos. Este artigo reúne os diferentes aspectos
relacionados com a velocidade
de cálculo e exemplos de estruturas
que permitem verificar a velocidade
de cálculo do programa
Factores
a considerar na velocidade
de cálculo
A velocidade do cálculo de uma estrutura através de um programa informático depende de muitos
factores, entre os que se incluem variáveis
relativas tanto do hardware como do software utilizado. Podem
realizar-se as seguintes considerações:
-
A velocidade depende da
própria estrutura, do
seu tamanho, que determina o
número de graus de liberdade
– incógnitas - a obter, que é igual
ao número de linhas
ou colunas da matriz de rigidez e
também da sua
tipologia, que determina o número de elementos
não nulos da matriz de rigidez e portanto
a denominada ‘largura de banda’ dessa matriz.
-
A velocidade
também depende do hardware e do sistema operativo
utilizados, da memória RAM instalada, do
seu tamanho e velocidade
de acesso, do tipo de processador,
da sua velocidade, número
de núcleos, cache, etc., do disco duro e do tipo de sistema operativo,
quer seja de 32 bits
ou de 64 bits.
-
Finalmente, a velocidade depende em grande
medida do software utilizado, da sua
concepção com técnicas de
programação avançadas para a
utilização de multiprocessadores
instalados e técnicas de optimização da
utilização da memória.
Este artigo centra-se no software e
fundamentalmente na parte de cálculo de esforços, estudando o que
Tricalc considera neste aspecto.
Em primeiro lugar há que dizer que
Tricalc aproveita a totalidade da potência do hardware instalado,
tendo em conta o seguinte:
•Por própria
limitação do sistema operativo, se este ou o processador não forem ambos de 64 bits, não é possível aproveitar quantidades de memória RAM acima de 3 ou 4 Gb. No caso de Tricalc, a função de resolução do sistema de equações
está disponível nas duas versões, uma
para 32 bits e outra para 64 bits, já que é a parte do cálculo onde
a necessidade de memória é mais exigente. O programa utiliza automaticamente
a função adequada para o
sistema operativo instalado.
• Existem
duas tecnologias de processadores de 64 bits: a que Microsoft e AMD denominam x64 (e que Intel denomina EMT64) e a que
Microsoft denomina IA64 (suportada exclusivamente pelos processadores
Intel Itanium 2). A primeira
tecnologia, que realmente é uma
arquitectura de 32 bits com extensões
para a gestão de memória a
64 bits é a única suportada por Tricalc.
• Tricalc
aproveita na fase de
cálculo todos os processadores ou
núcleos presentes no computador, directamente na sua versão standard
de Tricalc, sem necessidade de módulos especiais
adicionados ao programa e com
a única limitação em relação ao seu
número, pelo limite imposto pelo próprio sistema
operativo. Para isso utiliza-se o standard
OpenMP, com as vantagens que isso supõe quanto à transparência e independência do
hardware actual ou futuro.
• Não é aconselhável activar no processador
a funcionalidade de ‘Hyperthreading’
de Intel: esta tecnologia, anterior à existência de processadores de vários núcleos, não está pensada
para cálculos intensivos, pelo que se obtém um melhor rendimento
em Tricalc desactivando-a.
Resolução por métodos directos
Por outro lado, é importante realçar que o programa
utiliza um algoritmo de resolução da matriz de rigidez por métodos directos, ou
seja, um método exacto extremamente potente e escalável, que não utiliza
aproximações sucessivas, o que permite:
• Com os
métodos directos não é necessário
utilizar técnicas como a ‘subestruturação’, que
consiste em dividir a estrutura
em troços – por exemplo em pisos –, calcula-los
separadamente e depois resolver as ligações. Apesar desta técnica poder ser útil para estruturas
formadas apenas por lajes horizontais
e pilares, não é apropriada
(e inclusive é contraproducente em relação à velocidade de cálculo) quando existem lajes inclinadas que unem dois pisos ou muros (núcleos ou paredes) que percorram toda a
altura do edifício.
• É opcional considerar a indeformabilidade das lajes horizontais no seu plano (o
denominado ‘diafragma rígido’), tanto na totalidade das lajes como em qualquer deles como opção particular, sem uma apreciável perda de rendimento da velocidade de cálculo, apesar de
que supõe um incremento
substancial quanto ao
número de graus de liberdade
a calcular. Isto permite considerar os efeitos de tracção e compressão nas lajes, assim como poder definir acções de temperatura nas lajes (característica de Tricalc
7.1), que seria impossível de considerar com a hipótese de diafragma
rígido.
• Os métodos directos são igualmente eficazes em estruturas típicas de edifícios (lajes horizontais mais pilares) e em estruturas industriais
(naves industriais ou
coberturas de esteira) ou
de geometria especialmente complexa.
• Utilizando os métodos directos, nas fases em que seja possível, a matriz de
rigidez está em forma compacta, por exemplo na fase de criação, guardando sem valores
nulos. Isto implica que mesmo
com estruturas muito grandes a matriz de rigidez é relativamente pequena; por exemplo uma estrutura de 175.000 graus de liberdade pode ter uma matriz de rigidez em forma
compacta de apenas 20 Mb de tamanho. Como consequência, não há ‘funis’ por gerir ficheiros de grande tamanho. No exemplo anterior, a
matriz guardada como ‘skyline’, ou
seja, guardada cada linha
da matriz de rigidez desde a diagonal até ao último
valor não nulo, pode ocupar uns
2,50 Gb.
Dois
exemplos
De seguida indicam-se alguns tempos de cálculo para umas
estruturas tipo, que o leitor
pode comparar com outros
programas que utilize. Todos os cálculos foram realizados com um computador de gama ‘média’,
das seguintes características: processador
AMD Athlon x64 x2 Dual Core
3600+ de 1,90 Ghz; 2 Gb de
RAM; Windows Vista SP1 x64.
Os dois valores de tempo a) e b) que se incluem são
os relativos ao cálculo de esforços
e deslocamentos e o cálculo total incluindo
o dimensionamento e comprovação
de todos os elementos.
Estrutura de lajes
aligeiradas:
a)5” b)2’52”
Estrutura de lajes
aligeiradas com as seguintes características:
-
Uma cave e
mais
8 pisos, com fundações
com muros de cave e sapatas
isoladas e combinadas. Cálculo com
vento e sismo, em
primeira ordem.
-
Superfície de
lajes:
7.806 m2, 973 barras, 498 nós, 1.377
graus de liberdade.
-
Tempo de cálculo de
esforços: a) 5”.
-
Tempo total de cálculo: b) 2’
52”.

Estrutura com lajes fungiformes aligeiradas, lajes maciças e paredes
resistentes: a)5’5” b)1h32’
Estrutura de 6 pisos, com lajes fungiformes aligeiradas, lajes maciças e paredes
resistentes de betão (os três
elementos com discretização
de 0,80 m x 0,80 m). Fundação com
sapatas isoladas e
corridas. Cálculo com vento
e sismo, em primeira ordem.
-
Superfície de lajes: 8.031 m2 (5.850 m2 de lajes
fungiformes aligeiradas, mais
2.181 m2 de lajes maciças).
Superfície de paredes resistentes: 1.035 m2.
-
28.447 barras, 16.545
nós,
53.364 graus de liberdade,
matriz de rigidez em forma compacta de 5.563 Kb. •
-
Tempo de cálculo de
esforços: a) 5’ 5”.
-
Tempo total de cálculo: b) 1h
32’.

Se na mesma estrutura
anterior, eliminarmos a consideração
da indeformabilidade das lajes
horizontais no seu plano,
aumentando consideravelmente os graus
de liberdade a obter e se adicionarmos acções térmicas em todas as lajes e a todas as paredes resistentes, os novos
dados são:
-
98.610
graus
de liberdade.
-
Tempo de cálculo de
esforços:
a) 10’ e 48” (a resolução do sistema de 98.610
equações por métodos directos, leva apenas 7”).
-
Tempo total de cálculo: b) 4h
2’.
Conclusão
A velocidade
de cálculo de Tricalc oferece
umas prestações altamente avançadas, não apenas se compara com as obtidas em versões anteriores, mas também se comparam com outros programas existentes
no mercado. A sua concepção
que separa em duas fases o
cálculo de esforços, da comprovação
e dimensionamento da estrutura,
permite a repetição de ciclos de esforços
e deslocamentos em tempos
espectaculares: 5” e 5’ nos 2 exemplos expostos anteriormente, antes de passar
à comprovação e dimensionamento.
Esta velocidade é a chave que permite abordar
cálculos em 2ª ordem, nos quais cada uma das milhares de combinações é um cálculo*. Tricalc consegue um óptimo aproveitamento das
capacidades do hardware
existente através da utilização
de métodos directos na resolução
de sistemas de equações.
*Ver artigo ‘Tricalc
7: Novas possibilidades de cálculo em 2ª ordem’
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