Com o recente lançamento da versão 7.1 de Tricalc
incluem-se novas prestações que, juntamente com as já existentes,
possibilitam um fluxo de trabalho rápido e simples de uma fidelidade total
às normativas UNE-Espanha que fixam as directrizes a seguir para o cálculo e
dimensionamento de estruturas de andaimes.
Opções como o Deslocamento Global, Cálculo de 2ª Ordem, Eurocódigos
Genéricos, Painéis de Vento, Gráficos Momento-Rotação ou Menu Edição, somam-se
às já existentes quanto à definição de acções em numerosas Hipóteses e
definição de apoios e ligações entre barras, que fazem de Tricalc um
programa idóneo para o projecto de andaimes e estruturas modulares.
O presente artigo ilustra como, a utilização de Tricalc e a aplicação de
cada uma das funções anteriores, ajuda o projectista no seu trabalho, assim
como, as possibilidades que o programa oferece, seguindo as indicações da
normativa, obtendo sempre resultados fiáveis e ajustados com a realidade.
Adaptação de Tricalc à Norma UNE
A Norma UNE fixa as directrizes a seguir para o
dimensionamento dos equipamentos para trabalhos temporários em obra. Desta
forma, mais concretamente, nas suas secções 12810-1, 12810-2 e 12811-1 fixa
as bases para o cálculo de andaimes, obrigando o projectista a cumprir
certos requisitos que, em muitos casos, eram extremamente complicados ou
exigiam um sobredimensionamento da estrutura com o correspondente incremento
nos custos. Actualmente estes problemas desapareceram graças às contínuas
melhorias que se vão realizando em Tricalc.
Hipóteses de Acção
A Norma UNE em 12811-1 cita no seu artigo 6 todas as acções que é necessário
considerar para o cálculo de andaimes.
Concretamente e antes de entrar na analise de cada uma delas, podemos dizer
que se devem considerar até seis hipóteses de acção diferentes: Peso Próprio,
Sobrecargas, Vento, Neve, Acções Móveis e Acções Acidentais. De seguida
indicamos como considerar todas estas acções a partir do programa, tendo em
conta a citada norma.
-
Peso Próprio: em qualquer estrutura e igual forma nos
andaimes (Art. 6.2.1), é necessário considerar a acção devida ao peso da
mesma. Tricalc considera esta acção de forma automática, incluindo-a na
Hipótese 0 da Acção Permanente.
-
Carga de Trabalho: Como dita a Tabela 3 do Art.
6.1.3, deve considerar-se uma série de acções na área de trabalho, sobre
a plataforma ou barras em que esta se sustenta. Estas são aplicadas como
acções variáveis (definição análoga às sobrecargas). Na citada tabela
encontramos tanto acções superficiais como concentradas, a única a
aplicar na estrutura deve ser a acção superficial q1, que será a que
consideramos em Tricalc. Para além da acção horizontal citada no Art.
6.2.3. o programa permite considerar até 6 hipóteses de Sobrecarga para
considerar estas acções.
-
Acção de Neve: Inclui-se uma hipótese exclusiva para
as acções deste tipo que são consideradas pela UNE como acções variáveis
(Art. 6.2.6).
-
Acções de Vento: Também
consideradas como acções variáveis, descreve-se a partir do Art. 6.2.7 e
no Anexo A. Tricalc inclui quatro hipóteses dedicadas a definir este
tipo de acções de forma que é possível considerar duas direcções
perpendiculares nos seus dois sentidos. Utilizaremos estas hipóteses
para definir acções perpendiculares e paralelas à fachada.
Por outro lado, também permite diferenciar entre acções sobre a fachada
(para as que se podem definir Superfícies de Vento melhorando assim a
sua posterior verificação e modificação), que utilizaremos para o caso
de andaimes cobertos ou sobre a estrutura para o caso de que a
superfície dos mesmos esteja livre.
A equação que define a acção do vento segundo a UNE vem expressa do
seguinte modo:

Que podemos expressar como o produto de um
coeficiente adimensional (Coeficiente de Força Aerodinâmica •
Coeficiente de Sítio) multiplicado pela acção de vento (Pressão Dinâmica)
e pela área de influência da acção (A). De acordo com esses três
factores Tricalc apresenta um método de definição do vento rápido,
visual e que permite uma fácil modificação das acções graças às
Superfícies de Vento.

-
Pressão Dinâmica: neste caso
deve considerar dois tipos de acção, uma acção de Vento Máxima e uma
acção de Vento de Serviço. A pressão dinâmica é definida no programa
como a Acção do Vento e para o primeiro caso, calcula-se automaticamente
a partir de um assistente segundo a normativa seleccionada. No caso da
norma que estudamos podemos seleccionar no programa Eurocódigos
Genéricos ou por defeito RSA/REBAP, EC3, EC5, EC6.
-
Coeficiente de Força
Aerodinâmica • Coeficiente de Sítio: definimos em Tricalc como um
Coeficiente Eólico que será o produto de ambos e que pode obter a partir
da seguinte tabela em que se resumem os valores definidos pela norma.

-
Área de Carga: Que deveremos definir de acordo os
coeficientes aplicados e são os planos sobre os que actua o vento.
-
Acções Dinâmicas: A este
respeito define-se na UNE um método simplificado para quantificar o
efeito das acções devidas às vibrações de elementos como podem ser
motores. O método consiste em aumentar o peso próprio dos mesmos nos
seguintes valores:
-
Outras Acções: Para além das
acções anteriores, a norma fala de acções devido ao movimento de, por
exemplo, carrinho-de-mão de transporte ou de Acções Acidentais. Tricalc
inclui 10 Hipóteses de Acções Móveis, permitindo estudar até 10 posições
diferentes do elemento em movimento assim como uma hipótese de acção
Acidental.

Finalmente, é importante indicar
que a norma exige a consideração de dois estados de acção diferentes (Art.
6.2.9.2). As acções a considerar em cada um deles são as seguintes:
-
O peso próprio do andaime.
-
A acção de serviço q1
uniformemente distribuída actuando sobre a área de trabalho do nível da
plataforma mais desfavorável.
-
Se um andaime de trabalho tem
mais de um nível de plataforma, deve considerar-se 50% da acção
especificada no ponto a)2) para actuar sobre a área de trabalho no nível
imediatamente superior ou inferior.
-
A acção de vento de serviço ou
a margem de acção de trabalho horizontal.
-
O peso próprio do andaime.
-
Uma percentagem da acção q1
uniformemente distribuída actuando sobre o nível da plataforma mais
desfavorável. Os valores dependem da classe:
-
Classe 1: 0%; (nenhuma acção de serviço na área de
trabalho);
-
Classes 2 e 3: 25%; (representando alguns materiais
armazenados na área de trabalho);
-
Classes 4, 5 e 6: 50%; (representando alguns
materiais armazenados na área de trabalho);
-
A acção máxima do vento.
Para ter em conta estes dois
estados, uma vez definida a estrutura em um deles realiza-se uma cópia da
mesma passando a modificar as acções que diferem entre ambos os estados.
Basta realizar um novo cálculo da mesma e seleccionar o que gere os
resultados mais desfavoráveis.
Flecha
Num andaime, as deformações não são tão críticas como pode ser numa
estrutura industrial ou de edificação, desta forma, no Art. 6.3.1 define-se
um limite mais permissivo para a Deformação Elástica ou Flecha Activa dos
perfis: L/100 no caso da Flecha Total, em que o programa permite a sua
comprovação, não tendo sido encontrada nenhuma restrição.
Método de Comprovação
O método de comprovação dos perfis
será dos Estados Limite definidos nos Eurocódigos ou por defeito no RSA,
REBAP, EC3, EC5, EC6. Ambas as normativas, como já se salientou em pontos
anteriores, estão implementadas no programa sendo apenas necessário
seleccionar a que se pretenda utilizar e Tricalc realizará as combinações de
acção estipuladas na mesma para os ELU e ELS de forma automática.

A este respeito, a UNE, 12811-1, define uns coeficientes de majoração de
acções e de minoração da resistência do material que, em alguns casos, são
diferentes dos indicados nas normativas anteriores, os valores estipulados
no Art. 10.3.2 são os seguintes:

Portanto, uma vez seleccionada a normativa que se vá aplicar, basta
modificar os valores no programa.

Inclinação entre
componentes verticais: Deslocamento
Em estruturas como andaimes, em que as deformações que
aparecem são grandes, apesar de a norma ser mais permissiva com as mesmas, é
necessário ter em conta os efeitos que estas geram na estrutura. Este é o
caso das Deformações Globais ou Deslocamentos que aparecem pela execução em
obra do andaime, por exemplo, devido aos diferentes sistemas de ligação
entre os perfis tubulares.
Tricalc, desde a versão 7 oferece a possibilidade de definir este tipo de
deformações que podem ser críticas para o dimensionamento de estruturas
deste tipo.

O Art. 10.2.2.2 indica como calcular a amplitude destas deformações. Desta
forma pode obter-se o valor do Deslocamento Local para as ligações entre
montantes tubulares ou bases reguláveis com montante tubular, a partir da
seguinte equação:

Enquanto o Deslocamento Total se pode obter a partir da equação anterior
através da seguinte expressão:

Como norma geral para quantificar este valor em andaimes de fachada
define-se um deslocamento de 0’01 (L/100) se o comprimento de sobreposição
for pelo menos 150mm e 0’015 (L/67) se for menor.
É importante ter em conta que para a introdução dos deslocamentos em Tricalc
se utiliza a nomenclatura 1/X, de forma que a correspondência entre a norma
e o valor X que devemos definir no programa é a seguinte:

Ligações entre barras
Desde a versão 7.1 de Tricalc para além dos tipos de ligação
usuais já existentes no programa, tais como: Rígida, Articulada e Elástica,
inclui-se agora a possibilidade de utilizar Gráficos Momento-Rotação que
modelam a rigidez da ligação, desta forma é possível cumprir as prescrições
indicadas nos Art. 10.2.3.2 a 10.2.3.4, definindo de forma totalmente fiel à
realidade, o comportamento, por exemplo, de ligações viga-pilar ou
pilar-diagonal.

Método de Cálculo
Uma das principais melhorias introduzidas em Tricalc
aplicável ao cálculo de andaimes é o Método de Cálculo em 2ª Ordem. Este
método é muito mais real que o tradicional Método de Cálculo em 1ª Ordem,
obtendo os esforços da estrutura tendo em conta os diferentes estados de
deformação pelos que passa a mesma quando é posta em carga.
A norma UNE EN-12811-1 propõe (Art. 10.3.1) dos possíveis procedimentos de
cálculo (ambos implementados em Tricalc):
A norma UNE EN-12811-1 também indica na Tabela 1 do Art.
4 a obrigação de aplicar o Método em 2ª Ordem para Andaimes Modulares
permitindo a utilização de qualquer dos dois métodos anteriores para
Andaimes de Marco. Desta forma, a norma impõe a utilização de programas que
incluam esta modalidade de cálculo, para os mais comuns utilizados, Andaimes
Modulares, impossibilitando a sua comprovação de outra forma. Por se tratar
de um cálculo mais real, os resultados são muito mais ajustados conseguindo-se
um melhor aproveitamento dos perfis.
Funções de Edição:
Copiar/Colar
Desde a versão 7 do programa inclui-se um novo menu (Edição)
que oferece a possibilidade de realizar cópias numa mesma estrutura assim
como entre estruturas diferentes. Isto permite uma notável diminuição no
tempo de definição da geometria, acções, secções, etc. do projecto quando
trabalhamos com estruturas modulares ou com elementos repetidos.
Funcionamento do Menu
Edição
O trabalho com as funções de edição é tão simples como o que
se pode utilizar em outro tipo de programas como, por exemplo, os
processadores de texto. Selecciona-se a parte a copiar (no caso de um
processador de texto será, por exemplo um paragrafo e no caso de Tricalc uma
parte ou totalidade da estrutura) e cola-se no lugar desejado (No caso de
Tricalc num ponto que pode estar definido ou nó da estrutura). O programa
copia tanto a geometria (incluindo conjuntos), como as acções e os perfis
associados.
As funções agrupam-se da seguinte forma:
Opções de Edição aplicadas
ao dimensionamento de Andaimes
Do comentado anteriormente deduz-se o grande interesse que
têm as funções de Edição no desenvolvimento de projectos de andaimes. É
possível gerar uma livraria externa de módulos standard com acções,
conjuntos e secções definidas de forma que, a partir da cópia múltipla dos
mesmos e as opções de Translação do programa se gere o andaime, sobre o que
apenas será necessário aplicar pequenas modificações, para adequa-lo ao
projecto concreto que se tenha em cada caso.

Conclusões
Á luz de tudo o referido anteriormente pode dizer-se que Tricalc oferece
possibilidades óptimas para a modelação e dimensionamento de Andaimes pelos
seguintes motivos:
-
Fidelidade às prescrições da norma UNE
-
Implementação de assistentes para uma rápida
definição das acções
-
Aproveitamento máximo dos seus perfis graças ao
método de cálculo em 2ª Ordem
-
Rapidez na definição de andaimes graças ao Menu
Edição
Por outro lado as funções de Edição permitem um
incremento notável na velocidade de trabalho para qualquer tipologia com
elementos repetidos ou quando se trabalha com estruturas de características
similares.