Actualmente
existem muitas funções que são comuns a quase todos os programas de cálculo
de estruturas de betão, porém nenhum deles dispõe de funções para o cálculo,
dimensionamento e pormenorização de vigas de betão de inércia ou altura
variável. Arktec incorporará na próxima versão do Tricalc
a possibilidade de definir, calcular e obter os desenhos de pormenorização
de armaduras para este tipo de secções.
A possibilidade
de calcular uma estrutura como a da imagem adjunta será uma realidade no
Tricalc 7.3:

As vigas de
inércia variável permitem optimizar o projecto de estruturas com grandes
vãos ou acções, adicionando mais altura só nas zonas onde realmente é
necessário.
A próxima versão
do programa Tricalc permitirá a introdução deste
tipo de vigas (ou diagonais) de betão, sempre de secção rectangular. Ainda
que normalmente o aumento de altura se produza pela parte inferior da viga,
também será possível definir aumentos de altura pela parte superior (útil
nas coberturas, por exemplo). Com este mecanismo também é possível definir
as típicas vigas ‘delta’ das naves industriais pré-fabricadas de betão
armado, ainda que, de momento, devam ser de secção rectangular e não
pré-esforçadas.
A introdução
destas vigas de inércia variável em betão será muito similar à introdução de
cartelas na madeira ou aço já disponíveis em versões anteriores. Será ainda
possível definir nas lajes de grelha, vigas de laje com secção atribuída com
inércia variável.

Cálculo
da armadura
A existência de
uma inércia variável implica modificações tanto no cálculo da armadura
longitudinal como da armadura transversal da peça.
Para a armadura
longitudinal, há que ter em consideração que a armadura longitudinal forma
um ângulo a com a directriz da viga. Se o cálculo exige uma área de aço
necessária (de tracção ou de compressão) igual a As, deverá colocar-se uma
área algo maior igual a As / cos a.
Para a
comprovação ao transverso (e portanto, para o cálculo da armadura
transversal), a existência de armadura longitudinal e/ou bielas de betão
comprimido que formem um ângulo com a directriz da peça, pode ser benéfica
ou prejudicial, dependendo do sinal do momento flector e do sinal do
transverso. Por exemplo, numa consola em que a altura da secção é maior na
sua origem, teremos (para melhor generalização utilizámos uma nomenclatura
independente de qualquer regulamentação):

Comprova-se que:
-
Th = T•cos
at
-
Tv = T•sen
at
-
Ch = C•cos
ac
-
Cv = C•sen
ac
-
Th•z = Ch•z =
M
Sendo
-
V o
transverso actuante na secção
-
M o momento
actuante na secção
-
C é a
compressão do betão resposta da secção
-
T é a tracção
da armadura resposta da secção
-
ac
é o ângulo que forma a face comprimida da viga relativamente à sua
directriz
-
at
é o ângulo que forma a face traccionada da viga (e portanto a armadura
de tracção) relativamente à sua directriz
-
z é o braço
da palanca
Tem-se portanto
um transverso reduzido (ou efectivo) de valor Vr = V – Cv – Tv com o qual se
tem que realizar o dimensionamento ao transverso (nota: na EN 1992-1-1,
algumas comprovações devem-se realizar com o transverso inicial V). Neste
caso, Vr < V, porém, se por exemplo a imagem correspondera ao arranque de
uma viga bi-apoiada (na qual o momento tem sentido contrário ao de projecto),
ter-se-ia que Vr > V. Como regra prática, o transverso efectivo será menor
quando a secção cresce na direcção em que também cresce o momento flector (em
valor absoluto).
Pormenorização de armaduras
As novas
pormenorizações de armaduras do Tricalc 7.3
recolherá toda a descrição deste tipo de elementos de inércia variável. A
armadura que forma um ângulo com a directriz da viga será desenhada em
projecção, ainda que seja cotado o comprimento real de cada tramo, o que
aporta uma grande evolução na pormenorização das armaduras, mantendo o ‘standard’
de versões anteriores.
